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Executivos reunidos em um espaço de trabalho moderno, vistos de costas, acompanhando um encontro de formação

Primeira onda: os executivos na escola

Depois da chegada da IA | Artigo 3 de 8

Por Marcos S. C. Costa, sócio-fundador da Radio Design

No artigo anterior, vimos de onde veio o pânico com a IA e como ele chegou até nós mais curto e mais rápido do que os estudos que o originaram. Deixado o susto de lado, a pergunta útil é outra: quanto tempo cada etapa da mudança vai levar. A primeira já começou, nas salas de aula.

Como a IA chegou ao trabalho

A IA entrou primeiro na vida das pessoas e chegou ao trabalho em três níveis.

Nível 1: o hábito. O primeiro uso foi a pesquisa, como extensão de hábito cotidiano: perguntar, resumir, comparar, reescrever. As pessoas levaram o hábito para o escritório de forma automática, sem contar ao chefe, mesmo porque nunca precisou.

Nível 2: o aprendizado. Com a prática e mais estudo, veio o segundo passo: os agentes, rotinas de IA que executam tarefas recorrentes. Para funcionar, um agente precisa de alguém que conheça o trabalho por dentro, que saiba ensinar, testar e corrigir.

Nível 3: o começo de algo novo. No terceiro nível, a pergunta muda: como os problemas do negócio poderiam ser enfrentados com IA? A resposta pode levar a uma solução inovadora, a um modelo de negócio novo. Ele já está caminhando, e ainda é cedo para apontar casos de sucesso comprovados.

No Brasil, o FGV Ibre mostrou que a perda de emprego aparece entre os jovens nas funções em que a IA faz a tarefa no lugar da pessoa, o terreno do nível 1. Os níveis 2 e 3 pedem gente experiente, e é para eles que as escolas de negócios estão formando executivos.

A notícia rápida

O curso online do MIT Sloan sobre IA e estratégia de negócios, oferecido desde 2017, já passou de 28 mil alunos, segundo a Poets&Quants. No Brasil, o Inteli abriu em fevereiro de 2026 a primeira turma do MBA em IA e Dados para Negócios, e a FGV programou novas turmas do seu MBA em IA para setembro e outubro.

O que os cursos ensinam

Lidos lado a lado, os programas de INSEAD, MIT, Harvard, Insper e Inteli seguem o mesmo caminho, em cinco passos:

  1. Entender o que a IA faz e o que ainda não faz.
  2. Escolher onde ela gera valor. No Inteli, o aluno começa por um diagnóstico de oportunidade, antes de qualquer protótipo.
  3. Adotar na organização: maturidade, resistências, fazer dentro de casa ou contratar fora.
  4. Governar os riscos: alucinação, privacidade, ética.
  5. Reorganizar o trabalho e as pessoas. O INSEAD fecha o curso com uma semana inteira sobre isso.
Equipe organizando uma parede de vidro em colunas numa sala de concreto, com grafismos em laranja e cinza

Nenhum desses cursos ensina o fim do trabalho. Todos ensinam para onde apontar a bússola, e todos terminam nas pessoas.

E pedem experiência para entrar: dez anos de carreira no programa de IA para altos executivos do MIT, quatro anos no MBA da FGV. As escolas estão formando para a IA quem já conhece o negócio por dentro.

Quanto tempo dura a primeira onda

Os cursos curtos duram de cinco a oito semanas; os MBAs brasileiros, de 12 a 18 meses. As turmas de 2026 se formam em 2027. A primeira onda está em pleno curso, e a etapa seguinte é levar esse conhecimento para dentro das empresas.

Pessoas atravessando uma passarela entre um campus e o centro financeiro da cidade, com grafismos vermelhos

O que a experiência mostra

Já vimos uma competência nova percorrer esse caminho. A Lei Anticorrupção entrou em vigor em 2014. Nos pedidos que recebemos de 2014 a 2016, jurídico, compliance e ética não apareciam. De 2023 a 2026, já respondiam por 29%. Entre a lei e a área madura passou quase uma década: primeiro a regra, depois a formação dos líderes, depois a área que ganha corpo, e só então muda o dia a dia.

O time com IA

O curso entrega ao executivo a bússola. O caminho da empresa é feito por um time experiente, trabalhando com a IA: escolhe a primeira oportunidade, testa, ajusta, mostra o resultado a quem decide e leva a mudança para as outras áreas.

No próximo artigo

Em quanto tempo esses executivos vão montar times com a mesma formação? A segunda onda, e uma lição da chegada da eletricidade às fábricas: primeiro se troca o motor, e só depois se redesenha a fábrica.

Fontes

SOBRE O AUTOR
Foto de Marcos S. C. Costa
Marcos S. C. Costa
Marcos S. C. Costa é sócio-fundador da Radio Design, onde conduz desde 2010 projetos de comunicação de negócios para fusões e aquisições, captação de investimentos e negociações estratégicas. Atua também no desenho dos motores de IA da empresa.
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