Deal Room é uma ferramenta desenvolvida para auxiliar no passo a passo do andamento de negociações de M&A. Criada pelo mesmo time que faz o podcast M&A Science e desenhada exclusivamente para negociadores, Diretores de Aquisições e outros profissionais da área, ela fornece abaixo a visão sobre a etapas que cada um dos lados – sell e buy side – devem ter foco.
Principais etapas de um processo de fusão e aquisição na visão tanto do comprador, quanto do vendedor.A visão acima é bem completa, mas um pouco mais geral. O artigo de hoje focará especificamente em um cuidado especial que ocorre em um dos momentos mais delicados e importantes de toda a transação – a submissão do processo a autoridades que regulam esse tipo de atividade. Nos EUA, O DOJ – Department of Justice – junto com o FTC – Federal Trade Commission – são quem atuam nesse setor. No Brasil o CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica – é quem apita sobre o tema. Em M&A de multinacionais, inclusive, o processo precisa ser submetido as autoridades de cada um dos países onde ambos os lados estão presentes.

Em situações onde grandes grupos negociam entre si a compra e venda de parte de seus negócios ou estruturas, exige um nível de atenção e preparo um pouco acima da média. O momento é delicado. Times de advogados trabalham intensamente de cada um dos lados da transação. As empresas e seus líderes, entretanto, ainda não podem começar a trabalhar juntos, trocar informações e nem mesmo se falarem, sob o risco de serem acusadas de gun jumping e colocarem a operação a perigo. Muita discrição é necessária nesse momento e exatamente por isso que recomendável que o comprador tenha um time experiente de consultores em comunicação – externos a companhia – assessorando o deal desde então.
Pode parecer contraditório aos objetivos tradicionais da comunicação, mas esses especialistas são essenciais nesse momento exatamente para conseguir gerenciar, qual deve ser a informação que deve seguir adiante. Tom e forma são essenciais. É um períodos de discrição mas também de muito trabalho.
Enquanto as autoridade examinam se haverá uma concentração de poder econômico, monopólio, se haverá a necessidade de “remédios” para prosseguir na transação, os consultores podem analisar qual a melhor forma de fazer a transição de marca, qual deve ser o comunicado para fornecedores, parceiros, sócios, acionistas e demais stakeholders. Nesse meio tempo, há muito receio dos funcionários que estão envolvidos e isso gera ansiedade nas pessoas. Assim que for permitido, cada umas das frentes deve receber as informações que lhe são relevantes. A imprensa e mídia especializada, principalmente em se tratando de grandes operacões, também procura intensamente informação a respeito. Isso também reforça a necessidade de um time efetivo de media relations para gerenciar a imprensa. Negociar uma uma entrevista exclusiva, assim que for possível, pode vir a ser um caminho para conter notícias fora do timing.
No link abaixo Gregg Nahas, Sócio da PWC e Global M&A Integration Leader, fala sobre a importância da comunicação ao longo do processo de fusões e aquisições.
Assim que as autoridades aprovam a fusão ou aquisição, é necessário o disparo imediato dos comunicados para os líderes de cada uma das áreas das companhias. O Day 1 de operação também é muito importante, geralmente é feito um evento convidando funcionários de ambos os lados para que já seja iniciada a integração. Nessa ocasião, são apresentados os planos para a nova companhia que se forma e como ela deve seguir em frente. A integração de fato, é bem mais extensa que esses dias iniciais apenas. Muitas questões de cultura empresarial ainda surgirão e que precisarão ser tratadas ao longo do tempo.
Assinatura do deal em sí é isoladamente importante pois é a virada na chave, mas o processo dura muito mais tempo. A comunicação será uma disciplina presente em todos os momentos.
No link abaixo, em evento promovido pela Bloomberg, Anu Aiyeangar – Global Head M&A do JP Morgan- e do Ethan Klinsberg – Partner e Co-Head of US Corporate and M&A Freshfields fazem uma análise sobre as atividades de M&A, em específico sobre as dificuldades da regulação e demais obstáculos atuais para novas transações. Eles também traçam algumas previsões em como podem vir a ser as próximas operações.


